Selecione uma relação de pinhões inadequada e a velocidade da corrente ultrapassa a faixa de lubrificação — em uma transmissão #40, esse limite fica em torno de 1.300 ft/min em condições de banho de óleo.

Se esse limite for excedido, a fadiga dos rolos se instala muito antes de a corrente atingir sua vida útil nominal.

As calculadoras acima abrangem relação, velocidade de saída e comprimento da corrente. Veja a base de engenharia de cada uma delas.

O que a relação de engrenagens realmente informa

A relação de engrenagens define, em um único valor, a velocidade de saída, a multiplicação de torque e a carga na corrente. A fórmula é:

Relação de engrenagens

Relação = N₂ ÷ N₁

N₁ = dentes do pinhão motriz (entrada)  ·  N₂ = dentes do pinhão movido (saída)

Um pinhão motriz de 19T acoplado a um pinhão movido de 38T resulta em 2,00:1 — o eixo de saída gira uma vez a cada duas rotações de entrada, o torque dobra e a velocidade cai pela metade. Ao substituir por um pinhão movido de 57T, a relação passa a 3,00:1: o torque triplica e a velocidade cai para um terço.

Vale observar: acrescentar um dente ao pinhão motriz altera a relação mais do que acrescentar um dente ao pinhão movido — por um fator aproximadamente igual à própria relação vigente, porque o pinhão motriz é menor e cada dente representa uma parcela maior do total. Use o pinhão motriz para ajustes mais amplos e o pinhão movido para refinamentos.

Tabela de referência de relação — Corrente #40, entrada de 1.750 RPM

T do pinhão motriz

T do pinhão movido

Relação

RPM de saída

Velocidade da corrente ft/min

13

52

4,00

438

284

15

45

3,00

583

437

19

38

2,00

875

656

25

25

1,00

1.750

875

Velocidade da corrente = dentes do elemento motriz × passo de 0,500″ × 1.750 RPM ÷ 12. Verifique conforme o passo real da sua corrente.

Velocidade de saída e velocidade da corrente

Duas equações abrangem todos os cálculos da Aba 2:

RPM de saída

n₂ = n₁ × (N₁ ÷ N₂)

n₁ = RPM de entrada

Velocidade da corrente (ft/min)

V = (N₁ × p × n₁) ÷ 12

p = passo em polegadas

A velocidade da corrente é o parâmetro que muitos engenheiros deixam de considerar até que a corrente apresente falha prematura.

A calculadora da Aba 2 sinaliza quando o limite recomendado é ultrapassado para o tamanho de corrente selecionado.

Esses limites são baseados na ANSI B29.1 e pressupõem lubrificação contínua por banho de óleo ou gotejamento — a configuração mais comum em acionamentos industriais operando acima de 300 RPM.

Se o seu sistema utiliza lubrificação manual com graxa, reduza os limites abaixo em aproximadamente 25%.

Velocidade máxima recomendada da corrente — lubrificação contínua em banho de óleo (ANSI B29.1)

#25
 
800 ft/min
#35
 
1,000 ft/min
#40
 
1,300 ft/min
#50
 
1,500 ft/min
#60
 
2,000 ft/min

Conforme a ANSI B29.1 para corrente de rolos padrão de uma fileira com lubrificação contínua. Para lubrificação manual, aplique uma redução de 25%. Fonte:ASME B29.1.

Comprimento da corrente — por que a quantidade par de elos é importante

A fórmula de comprimento da corrente nas normas ISO 606 e ANSI B29.1 define o número de elos para uma determinada distância entre centros:

L = 2C/p + (N₂+N₁)/2 + (N₂−N₁)² ÷ (4π²·C/p)

L = elos · C = distância entre centros (in) · p = passo (in) · N₁ = dentes do pinhão motriz · N₂ = dentes do pinhão movido

Arredonde o resultado para o número par imediatamente superior.

Uma quantidade ímpar de elos obriga o uso de um elo de emenda deslocado (meio elo), o que reduz em cerca de 20% a resistência à tração nominal da corrente — uma penalidade relevante em qualquer acionamento operando próximo ao limite de carga.

A ANSI B29.1 recomenda manter a distância entre centros entre 30× e 50× o passo da corrente.

Com 30× o passo, o ângulo de abraçamento da corrente no pinhão menor permanece acima do mínimo de 120°. Com 50× o passo, o vão já é suficiente para amortecer cargas de choque.

Preveja 2–3% de comprimento adicional de corrente para permitir a regulagem do tensionador durante o alongamento inicial no período de assentamento.

A regra do número ímpar de dentes

Quando ambos os pinhões compartilham um fator comum — 20T e 40T, por exemplo — os mesmos elos da corrente engrenam nos mesmos dentes a cada revolução.

O desgaste se concentra nesses pontos de contato e a vida útil cai de forma acentuada.

A adoção de 19T/38T elimina o problema: o MDC é 19, portanto a corrente percorre todos os dentes antes que qualquer elo se repita.

Um pinhão motriz com número primo de dentes — 17T, 19T, 23T — é ainda melhor: ele não compartilha fator comum com nenhum pinhão movido de número par de dentes, distribuindo a carga por todo o conjunto de dentes.

✗ Evitar

20T / 40T

MDC = 20. Os mesmos elos atingem sempre os mesmos dentes. Desgaste concentrado, menor vida útil.

✓ Preferido

19T / 38T

MDC = 19. Cada elo toca todos os dentes antes de repetir. Distribuição uniforme da carga.

Três outros fatores que determinam a durabilidade de um pinhão

O passo e a norma da corrente devem coincidir exatamente

Pinhões ANSI e ISO/BS com o mesmo número de passo utilizam perfis de dente e diâmetros de rolete diferentes. A mistura desses padrões faz com que a corrente assente de forma incorreta, provocando desgaste acelerado dos dentes e ruído. Confirme a norma — ANSI (polegadas) ou métrica — antes de fazer o pedido.

Mínimo de 17 dentes no pinhão motriz acima de 500 RPM

Abaixo de 17T, o ângulo de articulação de cada elo no engrenamento torna-se suficientemente elevado para gerar ação poligonal mensurável — uma variação cíclica de velocidade que produz vibração e acelera o desgaste dos roletes. A ANSI B29.1 indica 17T como limite prático para operação suave em alta rotação.

Dureza do material conforme a velocidade de operação

Acionamentos acima de 500 RPM exigem aço carbono cementado por indução (HRC 40–50). Abaixo de 500 RPM, com cargas moderadas, o aço carbono C45 é suficiente. O aço inoxidável 316 atende ambientes corrosivos, porém apresenta resistência à fadiga cerca de 15–20% inferior à do aço carbono endurecido — esse fator deve ser considerado no cálculo de carga.

Referência rápida de corrente de rolos ANSI

Corrente

Passo (pol)

Ø do rolo (pol.)

Aplicação típica

#25

0,250

0,130

Máquinas leves, instrumentos

#35

0,375

0,200

Kartings, transportadores de pequeno porte

#40

0,500

0,312

Acionamentos industriais, linhas de embalagem

#50

0,625

0,400

Equipamentos agrícolas, máquinas-ferramenta

#60

0,750

0,469

Transportadores pesados, mineração, siderurgia

#80

1.000

0,625

Acionamentos de guindastes, aplicações industriais pesadas

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Perguntas frequentes

Qual é a relação de transmissão máxima recomendada para um acionamento por corrente de estágio único?

A norma ANSI B29.1 estabelece em 7:1 o limite prático para um acionamento por corrente de rolos de estágio único. Acima dessa relação, o ângulo de abraçamento da corrente na roda dentada motriz cai abaixo de 120°, aumentando a carga de impacto por dente e reduzindo a vida útil tanto da corrente quanto da roda dentada. Se a sua aplicação exigir uma relação superior a 7:1, utilize um acionamento de dois estágios com eixo intermediário e divida a relação entre os dois estágios.

Como calcular a velocidade da corrente sem conhecer a RPM de saída?

A velocidade da corrente depende apenas do lado motriz: V (ft/min) = N₁ × p × n₁ ÷ 12, em que N₁ é o número de dentes da roda motriz, p é o passo em polegadas e n₁ é a RPM de entrada. Para esse cálculo, não é necessário informar os dentes da roda conduzida — apenas o número de dentes da motriz, o passo e a RPM do motor.

Posso usar rodas dentadas ANSI e métricas na mesma corrente?

Não. Rodas dentadas ANSI (em polegadas) e métricas ISO/DIN com o mesmo número de passo possuem perfis de dentes e especificações de diâmetro dos rolos diferentes. Operá-las em conjunto faz com que a corrente assente de forma incorreta — ela trabalha elevada sobre os dentes, gerando desgaste anormal, ruído e, por fim, salto da corrente. O padrão da corrente deve sempre ser compatível com o padrão da roda dentada em todo o acionamento.

Por que a fórmula do comprimento da corrente resulta em um número ímpar?

A fórmula fornece um valor decimal exato; ao arredondá-lo para o inteiro mais próximo, o resultado muitas vezes é ímpar. A calculadora já faz automaticamente o arredondamento para o número par superior mais próximo. Se a configuração física obrigar o uso de um número ímpar de elos, será necessário utilizar um elo de compensação (meio elo) — isso reduz a resistência à tração nominal da corrente em aproximadamente 20%, portanto seu uso deve ser evitado em acionamentos com carga elevada.

Qual é o nível de precisão desses cálculos?

A relação de transmissão e a RPM de saída são exatas — não há aproximação nesse cálculo. A fórmula do comprimento da corrente segue a norma ANSI B29.1 e apresenta precisão de até ±1 elo para distâncias entre centros padrão. Em máquinas de precisão ou acionamentos operando acima de 1,000 ft/min, confirme o comprimento calculado com uma montagem experimental antes de cortar a corrente no comprimento final.

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